IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS NA MINERAÇÃO

Impactos Ambientais

Dentre os impactos ambientais provocados pela Mineração Rio do Norte, o mais conhecido é o assoreamento do Lago do Batata com rejeitos de bauxita, fato denominado por alguns como “o maior desastre industrial da Amazônia” (Wanderley, 2008). Estima-se que 20% da superfície líquida tornou-se sólida aterrada pelos rejeitos da lavagem do minério que eram depositados no lago (Pinto, 2015).

Durante 10 anos (de 1979 até 1989), os rejeitos da lavagem da bauxita foram despejados no lago. Segundo o pesquisador Wanderley (2008), foram lançados 1,5 milhões de toneladas de rejeitos por ano no lago.

Após denúncias internacionais, o lançamento foi suspenso. Atualmente, a MRN deposita o rejeito da bauxita em reservatórios construídos no interior da Flona Saracá-Taquera. Até hoje, o Lago do Batata não foi totalmente recuperado apesar das medidas adotadas pela empresa visando a mitigação dos impactos.

Impactos Sociais

O governo outorgou as concessões de lavra à Mineração Rio do Norte desconsiderando que as mesmas se encontravam em áreas de floresta exploradas por comunidades quilombolas e ribeirinhas. Os impactos fizeram-se sentir logo na instalação. Segundo Wanderley (2008), em 1970, os quilombolas da Comunidade Boa Vista foram induzidos a travar um “acordo” com a mineradora que implicou abrir mão de parte de suas terras – onde, atualmente, se situa a vila de Porto Trombetas – mediante pagamento de indenização irrisória.

Conforme informa o pesquisador, mesmo não tendo sido removidas, as famílias quilombolas da Boa Vista sofreram com a desestruturação da vida social, econômica e cultural: “Tiveram proibidas as práticas de caça, roçado e coleta de produtos da floresta, perderam significativa fatia do território tradicional (áreas dos platôs concedidas para lavra e área ribeirinha destinada à construção de Porto Trombetas) e, com essa, a liberdade, sendo praticamente inviável a sobrevivência neste restrito espaço”. Ainda segundo o Autor, diante desse cenário a única escolha possível para os quilombolas foi buscar trabalho na empresa (Wanderley, 2008: 19-20). Atualmente, parte significativa da população quilombola nessa comunidade garante sua fonte de renda por meio da prestação de serviços à MRN e às empresas terceirizadas por meio de sua cooperativa.

Já em 2002, a MRN iniciou a expansão das suas atividades para o platô Aviso, Bacaba e Almeida, na região do lago Sapucuá. Como explica Wanderley, os moradores do lago utilizaram historicamente os platôs, para fins extrativistas: “Os platôs Almeida e Bacaba, de acordo com relatos de antigos moradores, eram os melhores do Baixo Trombetas. No platô Almeida a produção de castanha caiu quase 70%, com a derrubada da mata, restando apenas as castanheiras na base da encosta. O fim dessa área de coleta afetou, além das famílias residentes nas proximidades do platô, os castanheiros de várias outras localidades, que migravam sazonalmente, atraídos pelo alto grau de produtividade dos castanhais” (Wanderley, 2008: 64).

Ainda segundo o pesquisador, foram estabelecidas algumas medidas compensatórias para a comunidade ribeirinha Boa Nova como a construção do barracão comunitário, a instalação de micro cisternas de água, a contratação de alguns moradores pela mineradora, a compra de sementes nativas dos coletores locais e da produção dos agricultores e a implantação de alguns programas sociais da empresa, ou em parceria com a prefeitura, voltados para a geração de renda, além de um apoio ao processo de regularização fundiária das terras ocupadas pelas famílias ribeirinhas (Wanderley, 2012: 71).

Até hoje, ribeirinhos que vivem no Lago Sapucuá denunciam mudanças na qualidade da água dos igarapés que utilizam. As cabeceiras dos igarapés encontram-se próximas às áreas de extração da bauxita. O governo alega que o monitoramento realizado pela mineradora não indica problemas nos cursos d’água.

Lago do Batata – Cor terra indica a porção assoreada pelo rejeito da bauxita
© Carlos Penteado (2016)

Quilombo Boa Vista (à direita) e instalações e barragens da MRN (à esquerda)
© Carlos Penteado